Fellini e seu fetiche por mulheres

Anita Ekberg em uma das cenas mais célebres do filme “A Doce Vida” (1960)

Em muitos de seus filmes, Federico Fellini mostrou o seu gosto por mulheres de formas exuberantes, por vezes até exageradas. Tanto que suas personagens mais notórias são vividas por atrizes como Anita Ekberg, eternizada pela cena da Fontana di Trevi, cartão postal de Roma. Mulher magrinha e sem seios enormes não tem vez com Fellini.

Apesar da minha antiga adoração pelo diretor, foi só ao visitar a exposição gratuita Tutto Fellini, que vai até o dia 16 de setembro no Sesc Pinheiros (SP), que realmente me caiu a ficha dessa fixação que, inclusive, afetava o figurino das produções.

Até para criar as roupas das personagens, Fellini pensava nas formas delas antes de tudo, como mostra um relato dele na exposição:

“No começo de cada um de meus filmes, eu passo grande parte do tempo em minha mesa de trabalho, rabiscando bundas e peitos. É uma maneira de começar o filme, de decifrá-lo por meio de rabiscos. Depois, esses esboços e pequenas notas acabam nas mãos de meus colaboradores –o cenógrafo, o figurinista e maquiador– que os usam como modelos para encaminhar o trabalho deles”.

Piero Gherardi foi um dos grandes colaboradores de Fellini e ganhou duas estatuetas do Oscar pelos figurinos de “A Doce Vida” (1960) e, mais tarde, por “8 ½” (1963). Ressaltando a importância da aparência, Fellini declarou: “eu tendo a reforçar, por meio da maquiagem e do figurino, tudo que pode colocar em evidência a psicologia do personagem”.

Abaixo, separei alguns momentos em que esse fetiche por mulheres impactantes (e bundas e peitos) chega ao limite, ultrapassando os padrões de beleza:

É com essa “donna” que os garotos de “Amarcord” (1973) iniciam suas primeiras aventuras sexuais. Nos filmes de Fellini, são essas mulheres plus size que povoam os mais íntimos e sórdidos desejos sexuais dos homens. Na cena acima, o decote faz toda a diferença, já que o jovem não consegue olhar para outro lugar…

Em “8 ½”, também é uma mulher enorme que desperta o desejo sexual de Guido (Marcelo Mastroianni). É essa mulher com ar de louca, maquiagem exagerada e cabelos que dariam inveja a Amy Winehouse, que representa o desejo reprimido do protagonista

O desejo pelo selvagem e sexo sujo, aquelas coisas que só Freud explica, é tanto que Guido até pede para a sua amante ser um pouco como Saraghina, a mulher por quem teve desejos quando era criança. Em um momento, antes do coito, o protagonista até passa maquiagem na personagem com quem vai se deitar. Em momentos como esse, a maquiagem ultrapassa o uso estético, pois é crucial até para a narrativa e entendimento do filme. Esse não é um uso genial para a maquiagem de cinema? Sim ou com certeza?

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